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quarta-feira, janeiro 25, 2006

Aconteceu no Bom Fim
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Caminhavam de mãos dadas pelas ruas do bairro que já tivera noites agitadas em outras épocas. Sempre fora uma zona meio chique, meio marginal, meio estudantil, meio boemia e meio intelectual. Era a união de tantas "metades" que fazia a graça e o encantamento e provocava um fervor cultural onde tantas tribos conviviam de forma nem sempre pacífica.
O máximo que sobrava agora eram os descolados quarentões e gente que simplesmente gostava daquelas ruas povoadas por fantasmas e visões de movimentos contraculturais.
Mas passeavam, mesmo assim, nas ruas agora apenas residenciais, em uma penumbra que nem a iluminação pública conseguia dissipar. Iam silentes, aqui um cachorro perdido, ali um mendigo, lá adiante um outro casal que passava apressado pela transversal. Foi quando avistaram o cara com o violão, sentado na calçada, em posição de lótus e tirando acordes dispersos. Sem combinação e sem trocar palavras sentaram perto do pretenso músico recostaram suas cabeças e ficaram escutando entregues ao inesperado. Neste momento, como se fosse um prêmio, melodias começaram a ser tocadas, uma atrás da outra. Melodias sem canto e que evocavam estados de pureza adimensionais, algo de puro enlevo, espiritual até. Foram ficando, sem outra preocupação a não ser escutar, sem outro sentido que não o da audição. Ficaram, ficaram e ficaram. De repente o violeiro, num pequeno gesto anunciou o fim dos dedilhados e daquele som que se propagava evocando sentimentos inusitados. Levantaram, sem trocar palavra voltaram a caminhar já sentido o toque da briza de uma nova manhã que se iniciava. Na frente apenas folhas secas navegando no vento...



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